terça-feira, 19 de abril de 2016

Ao arrepio de Deus

Por Deus no céu, Cunha na terra, ou pelo momento 'Show da Xuxa', o show de bizarrices  que virou piada internacional, capaz de deixar o Palhaço do Congresso em papel coadjuvante, desvela, por mais paradoxal que seja, pontos positivos em nossa trilha pela maturidade democrática.

Antes do lado positivo, não se pode perder de vista as palavras emblemáticas do presidente da Câmara, que, junto a outras dezenas de parlamentares que evocaram o nome de Deus ao proferir o seu “SIM”, suplicou: “Que Deus tenha misericórdia desta Nação”. Realmente, uma primeira análise deste quadro tragicômico poderia levar à crença de que apenas o apego à fé seria capaz de nos salvar deste déficit de representação.

Acontece que, se nem o maior entusiasta da verdadeira democracia não escondia em sua obra que a democracia é um desafio para os homens (Rousseau afirmou: "Se existisse um povo de Deuses, ele se governaria democraticamente. Um Governo tão perfeito não convém aos homens), não chega a causar assombro a cretinização do debate em dos mais importantes salões da República.

Ora, se partirmos da premissa que uma das grandes mazelas que impedem o desenvolvimento de nossa cidadania é a tomada do Estado por grupos que buscam apenas alcançar seus próprios e mesquinhos objetivos, como ficar pasmo com dedicatórias com tanto clamor aos entes mais queridos?

A bem da verdade, a ignorância e o despreparo, sempre hão de gerar algum assombro, mesmo para os mais acostumados ao dia a dia em Brasília. Na fala de Marco Feliciano, por exemplo, talvez 'assombro' não seja o termo mais adequado. Na verdade,  não será possível que eu tenha sido o único a sentir 'vergonha alheia' ao ver o deputado paulista exaltando Olavo de Carvalho, mesmo tendo sido chamado pelo próprio de“burro, despreparado, soberbo e irresponsável". Parece que Feliciano ainda não adquiriu um exemplar do "mínimo que você precisa saber para ser um idiota", ou, se o fez, é prova viva e ambulante do pouco efeito prático desta leitura.


Noutra direção, e reside aqui a surpresa positiva que motiva este post, a forma como cada vez mais pessoas se interessam pela discussão em torno de temas fundamentais em torno do processo político de poder, adquiriu mais relevo com a maneira que muitos se impressionaram com o baixo nível de nossa representação, que, mesmo para os que repudiam generalizações, enodoou ainda mais o já desgastado "Poder" Legislativo nacional.

Assim, enquanto SAKAMOTO afirmou que
"a votação deste domingo deveria ser assistida de forma obrigatória por todo o eleitor antes das próximas eleições",  certamente devia ter em mente a grande audiência do principal programa do último domingo, e deve, como muitos, ter ficado 'feliz' com o choque de realidade que gerou muitos comentários neste começo de semana, ocasião em que o circo de horrores roubou a cena,  deixando fora do proscênio a própria decisão de prosseguimento do Processo de impedimento da PresidentA.

Uma boa leitura do nível de nosso Congresso Nacional parece ser parada obrigatória para o processo de mudança que está em curso.

Quanto à PresidentA, fica a indagação: Valeu a pena ter sido reconduzida ao cargo a qualquer custo? Para aqueles que ainda acreditavam que o povo é bobo e passivo, abram os olhos: Se há um clima de intolerância, este sentimento tem sim um grande alvo, a incompetência.
Para o executivo, o recado está dado, pena que por interlocutores tão medíocres.  Para a incompetência legislativa, uma certeza: Sua hora vai chegar!








Um comentário:

  1. Triste à realidade escancarada no palanque. Entretanto, não se esperava mais que isso. A fragilidade das nossas instituições é devida aos "cupins" da nossa política, que diariamente quebrantam ideais conquistados ao longo de gerações. Parafraseando o próprio Rousseau usado no post: "Não sendo a lei senão a declaração da vontade geral, claro está que no poder legislativo não pode o povo ser representado; mas pode e deve sê-lo no poder executivo, que outra coisa não é senão a força aplicada à lei". Desde o período, aqueles que criarão a lei e a verdadeira vontade geral que à deveria motivar estão em visível discordância, e não é outro o reflexo de nossos tempos. Olhos abertos e mente sã devemos ter, e "se Deus quiser" conseguiremos combater à corrupção que assola nossa país. Abraço meu amigo.

    Arley Barros Leal

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